9 de jun de 2011

CONSCIÊNCIA E AS CAPACIDADES INDIVIDUAIS


A terra é um planeta de provas e de expiações[1], no qual a felicidade plena ainda desconhecemos[2]. Um planeta repleto de seres imperfeitos, imprecisos, indecisos, instáveis. Seres que comprazem viver no orgulho e no egoísmo. Seres que sempre se acham melhores do que os outros, mais capazes, mais poderosos, mais afortunados. Seres que buscam intensamente a liberdade material. Seres que se machucam facilmente e que machucam os outros numa proporção muito maior. Seres vaidosos, ciumentos e desconfiados. Seres maldosos que matam, não só a carne, mas também os sonhos das pessoas. Seres que se deixam levar pela aparência; que se revestem de falsidade através de máscaras. Seres que não gastam um minuto do dia para conhecer a si, mas querem conhecer os outros ou, pior, querem que os outros o conheçam. Seres que acham perda de tempo ter uma religião, uma crença, ter Deus no coração; e vergonha de propagar isso. Enfim, seres com muito mais erros do que acertos; com mais defeitos do que qualidades; com mais imperfeições do que perfeições; com muito mais ódio, rancor, raiva, ressentimento, mágoas... do que amor, perdão, solidariedade, caridade, compaixão, piedade.

O que nos difere um dos outros é a consciência[3] que temos desses atos, pensamentos e sentimentos. Consciência de quem somos[4]. Consciência do que Cristo buscou nos ensinar. O que nos faz ser diferente de outros Seres é como compreendemos e enxergamos essas imperfeições, como lidamos com elas e o que fazemos, na prática, para modificá-las na nossa vida. A consciência que temos de certo e errado, de bom e ruim, é a base do que somos, do que cremos, do que acreditamos e do que buscamos.  Também emerge a necessidade de termos consciência do que realmente somos capazes de realizar; do que temos capacidade de conquistar.

É desse prisma que há diferentes visões de mundo. Diferentes formas de amar, pensar, compreender, sentir, agir, enxergar, aceitar, transformar, perceber, ponderar, buscar, lutar, agradecer, pedir, renunciar, sonhar...

E é assim que alguns ainda vivem apegados à vingança. Outros preferem a vida social. Há aqueles que se fixam no comodismo, na preguiça, nas queixas, na inércia. Há também quem espere por milagres, sem nem ao menos tentar fazer a sua parte. Há, inclusive, os que vivem sem esperança e fé. E há os que são um pouco diferentes disso e, ainda, outros que são completamente diferentes disso. Estamos falando de diferentes graus de evolução! Estamos falando de diferentes ordens de espíritos[5]! Estamos falando de diferentes consciências!

Com esta visão que compreendemos que somos diferentes uns dos outros! Que somos únicos, inclusive em nossas imperfeições! Deus, em sua infinita perfeição e bondade, não seria injusto criando seus filhos inferiores e superiores, bons e ruins, anjos e demônios. Todos, sem exceção, tivemos o mesmo ponto de partida, no qual Deus nos criou simples, ignorantes e livres para seguir nosso caminho; sempre nos apoiando, sempre nos consolando, sempre nos guiando, através de suas leis perfeitas. Somos nós quem escolhemos, através do nosso livre arbítrio[6], o que queremos para as nossas vidas! Somos nós que escolhemos quem queremos ser. Temos sempre inúmeros caminhos a escolher! E o despertar da nossa consciência é que vai nos colocar num nível diferente do nosso irmão.

Passemos a compreender mais estas elucidações e seremos capazes de compreender mais a nós mesmos, as nossas atitudes, as nossas escolhas e, conseqüentemente, o mundo em que habitamos e aos nossos irmãos que aqui convivemos. E dessa forma compreendemos que não podemos exigir que o outro veja o mundo da nossa maneira; nem podemos querer que ele pense, aja e sinta exatamente como nós.

O importante disso tudo é compreender que, apesar de sermos diferentes e estarmos em níveis diferentes de consciência, somos todos filhos do mesmo Pai e que, se eu estou um pouco acima do meu irmão, que eu seja solidário e o puxe para junto de mim através da caridade posta em ação, e que, se eu estou abaixo de um irmão, que eu tenha a humildade suficiente para pedir que este segure minha mão com muita força e me puxe para cima.

Agora, paremos por alguns segundos e reflitamos: O que estamos fazendo com as nossas vidas? O que realmente nos faz feliz? Temos feito às pessoas aquilo que gostaríamos que elas fizessem por nós? Temos amado ao nosso próximo como a nós mesmos? Doamos-nos o tanto quanto podíamos aos outros irmãos? O que temos aprendido com a vida e as experiências, especialmente as dolorosas, que nos acontecem? Quanto nos conhecemos? Como anda a minha consciência da minha própria vida?

E se em alguma dessas questões nós nos questionamos, hesitamos, ponderamos, titubeamos... então já demos o primeiro passo! Então, já despertamos a nossa consciência para o nosso eu interior e para o mundo! Aceitamos que realmente nos falta algo, que precisamos modificar-nos e que precisamos evoluir, por nós e pelo planeta! Agora vamos à luta para melhorar isso. A evolução é o destino de todos. Tornarmos seres perfeitos é a nossa meta final. Não esperemos mais, não hesitemos mais! Simplesmente façamos mais em prol de nós mesmos e da vida! Façamos mais pela paz! Indiscutivelmente, fomos criados para o amor e cedo ou tarde iremos despertar nossas consciências para isso... Se não for hoje, será amanhã ou depois ou depois, pois quem faz essa escolha somos nós!


Viviane Vasques
28/05/2011




[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo III: Há muitas moradas na casa de meu pai.
[2] O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo V: Bem-aventurados os aflitos, Item “A felicidade não é deste mundo”.
[3] Livro dos Espíritos – Livro III - Capítulo X: Lei de Liberdade: Liberdade de Consciência (Questões 835 a 842).
[4] Livro dos Espíritos – Livro III - Capítulo XII: Conhecimento de si mesmo (Questão 919).
[5] Livro dos Espíritos – Livro II – Capítulo I: Dos Espíritos (Questões 96 a 127).
[6] Livro dos Espíritos - Livro III – Capítulo X: Lei de liberdade: Livre Arbítrio (Questões 843 a 850).

2 comentários:

  1. Tais atitudes darão cumprimento aos propósitos de Jesus quando disse que “nenhuma das ovelhas de meu Pai se perderá”. Que todos nós possamos ser exemplos hoje desta mudança para o mundo.

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  2. Gostei do blog, sábias palavras.Continue assim, o mundo precisa de pessoas como você.
    Um grande abraço.
    Maria.

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