20 de fev de 2012

A FRAGILIDADE DA VIDA MATERIAL


Sabemos que temos duas vidas: a material e a espiritual. A material é o estado em que nos encontramos atualmente e grande parte das coisas que vivenciamos. A espiritual é a vida mais sutil e, como o próprio nome diz, está relacionado ao espírito, a alma, a um corpo mais sutil do que possuímos no momento. Então, somos seres espirituais vivendo experiências materiais ou seres materiais vivendo experiências espirituais? Qual é a nossa verdadeira e real vida? A que estamos hoje ou a que já estivemos um dia e retornaremos a ela? Pois bem, somos seres espirituais vivendo, temporariamente, experiências materiais que contribuirão na nossa evolução e, consequentemente, a vida espiritual é nossa verdadeira e real vida, a que um dia iremos estar de volta.

Mas, infelizmente, grande parte das pessoas esquece esse pequeno detalhe. Esquece que tudo que é material é passageiro e um dia, mais cedo ou mais tarde, ficaremos sem. Vivemos apegados a essa matéria grotesca; apegados ao dinheiro; apegados à beleza física; apegados aos imóveis e automóveis; apegados ao emprego e aos cursos; apegados a pessoas e fatos; enfim, nos apegamos a tudo que é material e desprezamos a tudo que é espiritual. E é justamente essa palavra que acredito ser adequada: APEGO! Alguns confundem com amor, outros com materiais essenciais à vida humana, outros como indispensável para se alcançar a felicidade, como se esta fosse algo construído por fora. E vamos, com isso, construindo impérios de matéria, juntamente com a que carregamos todos os dias, que é o nosso corpo.

E onde isso nos levará? Tenho constatado que cada vez mais a resposta para isso é à frustração e ao sofrimento. Justamente porque tudo foi construído fora e suscetível a acabar. Justamente porque muitas vezes está fora do nosso controle saber quando e como isso tudo terá um fim ou se modificará. E ai sofremos, porque não estávamos preparados para nos desapegar de todos estes bens; não estávamos prontos para abrir mão de tudo que relacionei acima. E nos frustramos e sofremos, porque nosso externo se foi e nosso interno não foi preparado para isso, não recebeu a devida atenção e cuidado.

Quando digo matéria, digo tudo que é inanimado e ao nosso corpo. Grandes fortunas são construídas, e podem se acabar num piscar de olhos. Podemos nos tornar grandes profissionais, mas num incidente podemos perder tudo. Podemos ter casas espetaculares, que podem cair. Podemos ter corpos lindos e esculturais, que uma doença pode definhar ou uma morte pode levar. E aí, permanecerá o que construímos internamente e o que cultivamos em nosso coração e em nossa alma. Estes sim são tesouros que nada e nem ninguém destruirá, porque somos donos deles e somente nós temos permissão para modificar isso. A vida material é mais frágil do que pensamos e do que esperamos, bem diferente da espiritual, da essência de todo ser humano.

Negativismo? Pessimismo? De forma alguma, apenas realismo. Assim é a vida: estamos na carne para evoluir através de nossas provas e expiações para um dia, sabe-se lá quando e como, voltar de volta para nossa verdadeira morada. Deus permite todos os dias vivenciarmos experiências materiais para ver como anda esse processo de evolução e renovação do nosso ser, pois se vivêssemos longe da vida material não teríamos o merecimento da conquista do próprio ser e não teríamos condições de "quitar nossas dívidas" com aqueles que um dia erramos. Não é punição Divina retirar todos os nossos bens materiais, mas é permitir que corrijamos tudo aquilo que um dia destruímos ou prejudicamos.

Pensando assim, precisamos sim viver e obter coisas materiais, mas não priorizar isso e torna-las o centro de nossas vidas. Precisamos sim de uma casa, de um carro, de um corpo saudável, de um namorado, de um emprego... como forma de sobrevivência material e de necessidades materiais, não como meios de ser feliz. Precisamos sim de experiências materiais, pois muitas das coisas que vivemos na carne, só podem ser sentidas e vividas na própria carne. Mas, não tornar tal vida como única, como exclusiva, como eterna. E quando tudo isso se for, como ficará?

Por isso, novamente retomo o que tenho escrito em vários textos: valorizemos o hoje, o momento de agora, deixando de lado todas as mágoas do passado e toda ansiedade do futuro. Vivamos o momento de agora como se fosse o último. Ele não voltará mais e talvez a oportunidade que estamos tendo nesse exato momento não retorne mais. Agradeçamos mais a Deus por todas as bênçãos em nossa vida, inclusive as dores e os obstáculos que temos enfrentado, pois temos exatamente aquilo que precisamos. Amemos mais, muito mais, a nós mesmos para poder amar mais, e muito mais, o nosso próximo e a Deus. Confiemos mais em nós mesmos e nos nossos potenciais, sem nos abater com as criticas maldosas. Perdoemos rapidamente, pois o ódio e o rancor corroem a alma e causam chagas brutais. Pratiquemos mais a caridade, moral e material, pois ninguém é tão inferior e tão pobre que não possa doar nada ao seu irmão. Escutemos mais os sentimentos e vivamos eles intensamente, sem medo de errar ou se machucar. Deixemos aquele curso, aquela festa, aquele compromisso material considerado tão importante para estar na companhia de quem nos quer bem. Valorizemos mais as pessoas que estão ao nosso redor, inclusive aquelas que não nos são tão afim, e acima de tudo a nossa família. Cuidemos mais do nosso corpo, pois precisamos dele para estar na terra. Voltemos o pensamento ao Alto agradecendo todas as oportunidades de servir, assim como todo bem que nos foi concedido e todo mal que nos foi poupado. Reclamemos menos do que não temos e não abençoamos mais o que temos. Enfim, que possamos viver o dia de hoje material como se ele fosse terminar no segundo seguinte, cultivando bens que vão diretamente para a alma.

Dessa forma, que possamos refletir mais sobre a vida espiritual, que esta associada à vida moral. Que possamos construir castelos internamente, para que nenhuma força externa nos derrube. Que possamos encher nosso peito de fé, e enfrentar todas as perdas materiais com resignação. Que possamos aceitar e vivenciar a lei de causa e efeito. Que possamos ser nós mesmos, com nossos erros e acertos, qualidades e defeitos, mas sinceros e honestos conosco e com o mundo. Uma vida plena é uma vida cheio de amor, com paz no coração e com a consciência tranquila de que tudo de bom e de acordo com os ensinamentos cristãos que poderia ser realizado, foi! E que ainda que todos os bens materiais tenham ido, que os espirituais permaneçam em nossa vida sempre!

VIVIANE VASQUES
18/02/2012

2 comentários:

  1. Se quiser ler:
    O poder do agora. Eckhart Tolle. Um guia para a iluminação espiritual. Primeiro lugar na lista do The New York Times.
    "Este é um dos melhores livros que surgiram nos últimos tempos. Cada frase transmite verdade e poder". Deepak Chopra . Editora Sextante.
    Tudo a ver com vc, sua filosofia , seus textos, sua figura. Até de-repente.

    ResponderExcluir
  2. Obrigada meu querido amigo Celso. Em breve estes livros estarão nas minhas mãos... :-)

    ResponderExcluir