3 de mai de 2012

VIDA É MORTE... E MORTE É VIDA!




Nos últimos tempos tenho pensado e vivido demasiadamente o assunto MORTE. São acontecimentos e mais acontecimentos, às vezes perto e às vezes longe, que resultam em morte: mudanças climáticas, acidentes diversos, problemas de saúde, drogas, suicídios e até "do nada"... sabe aquele "estava tudo bem e de repente morreu"? Pois é! E não tem idade, gênero, classe social ou raça. E isso é mais do que natural e nós precisamos nos adaptar a isso, afinal a única certeza de que temos é a de que um dia, mais cedo ou mais tarde, e seja lá de que forma for, nós vamos morrer! E todos vão morrer, sem exceções! É inevitável...

Para mim a morte é uma passagem; é uma volta para a nossa verdadeira morada, que é a espiritual. Eu acredito que estamos no plano material por um breve espaço de tempo, se acreditarmos que nossos espíritos são eternos. Eu acredito, também, que estamos aqui neste planeta - que, diga-se de passagem, esta se modificando e se renovando - não para satisfazer nossos desejos materiais, mas para resgatar débitos passados e através das experiências carnais evoluir, principalmente moralmente. Eu acredito que tudo isso aqui que vivemos hoje vão ser memórias e momentos guardados no nosso arquivo pessoal. Eu acredito, inclusive, que esse corpo material é meu temporariamente, que ele foi elaborado exclusivamente para vivenciar as provas de que terei que passar por um período de tempo e que meu verdadeiro e real corpo é o meu espírito.
 
 
Partindo disso que eu digo que vida é morte e morte é vida! Vida é morte porque se acreditamos que há algo além da matéria, inevitavelmente saberemos que um dia voltaremos para a nossa realidade e tudo que aqui temos irá ficar. Vida é morte porque essa é a única certeza que temos clara em nossas vidas: esse corpo vai, um dia, acabar. Morte é vida porque voltamos de onde viemos, porque nos encontraremos com aqueles que temos laços de afinidade e amor. Morte é vida porque liberta o espirito das amarras materiais, que tanto o sufoca, mas que é necessário para evoluir. E assim, seguimos nossa jornada vivendo e morrendo, um entrelaçado no outro, um seguido do outro... levando conosco somente o nosso ser e não mais o nosso ter. E ainda nos assustamos com o tema MORTE!
 
 
Eu, particularmente, não tenho medo de morrer! Nenhum! Não gostaria de morrer queimada ou afogada, mas eu aguento se estiver na minha programação. Não tenho medo de ter uma doença grave e morrer assim. Não tenho medo de acidentes e nem desastres naturais. Não tenho medo das pessoas que vou deixar e menos ainda dos meus bens materiais. Assim, temos medos diferentes e talvez os meus sejam bobagem para alguns de vocês. É que eu acredito, somado ao que eu escrevi acima, que não importa a forma que eu morrer e nem o momento que isso acontecer, mas importa o que eu estou levando no meu espírito quando isso acontecer, afinal é ele minha essência e é nele que está tudo gravado de bom e ruim. A separação do corpo e do espirito, a para onde o meu espirito vai depois que isso acontecer, vai depender único e exclusivamente da vida terrena que eu tive (vida é morte... e morte é vida).
 
 
Meus medos são outros quando falo de morte... quando penso morte... quando vivencio morte... quando estudo morte. Meu medo é a consciência - triplicada - do que eu fiz com a minha vida terrena e com todas as oportunidades de evolução no momento que eu morrer. Isso realmente me dá muito medo! Enquanto estamos na carne temos uma visão de mundo, mas quando chegamos do outro lado temos a real consciência do que fizemos e, pior, do tanto que deixamos de fazer. E aí bate a culpa e o arrependimento, monstros esses que por mais que sejamos fortes são capazes de nos dilacerar.

Assim, eu tenho medo de ter julgado demais meu semelhante, de levantar falsas verdades sobre eles, ao invés de buscar compreende-lo e ajudá-lo a trilhar os seus caminhos. Tenho medo de ter gasto tempo com as pessoas erradas, com momentos errados, com causas erradas. Tenho medo de perder as oportunidades de ser feliz e fazer alguém feliz por orgulho e egoísmo. Tenho medo de não ter cuidado do meu corpo da forma como eu devo cuidar. Tenho medo dos ditos inimigos que eu criei por não saber ser humilde e tolerante com meu próximo. Tenho medo de não ter dito eu te amo, quando eu sentia isso, ter não dito eu te quero, quando eu sentia isso, de não ter dito eu te perdoo e não ter dito tantas outras coisas que vão no meu coração por medo de ser rejeitada ou considerada ridícula. Tenho medo de não ter vivido um amor, uma amizade, uma relação profissional por simples medo do futuro e da falta de confiança em mim e em Deus. Tenho medo de não poder mais abraçar fisicamente aqueles que eu gosto. Tenho medo de não ter aproveitado cada oportunidade de praticar a caridade moral e espiritual. Medo de me arrepender por coisas que fiz – muitas sem consciência de que estava errando - e pelas que eu não fiz, e sentir uma enorme culpa por não ter percebido o que, e quem, era realmente importante. Parece bobagem, mas para mim é algo muito sério... porque eu sei das minhas limitações, sei das minhas imperfeições e sei que algumas coisas eu ainda não consigo modificar em mim.
 
 
Se eu acredito na lei da reencarnação e na pluralidade das existências, consequentemente acredito que retornarei ao plano terreno. E se eu acredito nisso, sei que novas chances serão dadas, novas oportunidades de consertar todos os erros serão proporcionadas, a convivência com as pessoas que ferimos acontecerá novamente e tudo que eu possa ter me arrependido e sentido culpa, eu terei a chance de consertar. Mas, para que deixar para amanhã o que podemos fazer hoje? Para que acumular mais dividas se temos inteligência e bom senso para somente quitá-las? Talvez demore milênios para conseguirmos olhar novamente para os olhos de outro alguém e dizer eu te amo, eu te respeito, você é importante para mim! Talvez demoremos milênios para ter a chance de demonstrar tudo isso.
 
 
Termino este desabafo – porque isto é mais pessoal do que um texto comum - com uma citação de José Raul Teixeira, do livro Educação e Vivências: "[...] a vida atual de cada indivíduo tem o poder de atenuar ou de agravar as condições gerais ou específicas da desencarnação, serão de bom alvitre os cuidados que se deve ter para com a presente existência somática, procurando cada um respeitar a vida, respeitando-se, na certeza de que a morte é a chave que abre as portas da Vida, devendo os encarnados realizar, enquanto na Terra, tudo o que lhes seja possível para que desapareçam os laços de excessiva amargura ou de rebeldia ante os Supremos Desígnios advindos do grande Autor do Universo!".

E lhe pergunto: e sua bagagem de volta para casa, como está?


VIVIANE VASQUES
03/05/2012

Um comentário:

  1. Ana Rita Barbosa4 de maio de 2012 17:20

    Eu estou preparada também e tento me aperfeiçoar até o dia de minha morte.

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